Ferrovia Fico volta ao debate após reunião com indígenas Xavante sobre impactos em MT

Governo federal discute obra estratégica com lideranças e busca conciliar desenvolvimento e preservação de territórios tradicionais


Por Rota Araguaia em 13/04/2026 às 13:52 hs

Ferrovia Fico volta ao debate após reunião com indígenas Xavante sobre impactos em MT
Reprodução

Redação

Uma das obras mais estratégicas para o escoamento da produção agrícola no país, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste voltou ao centro do debate após o governo federal se reunir com lideranças do povo Xavante de Mato Grosso. O encontro, realizado em Brasília, acendeu o alerta para os possíveis impactos da ferrovia sobre territórios indígenas.

A reunião, promovida pelo Ministério dos Transportes com apoio da Infra S.A., marcou a terceira rodada de diálogo com representantes da Terra Indígena Parabubure e reuniu lideranças de diferentes aldeias. O objetivo é discutir os efeitos da obra e buscar soluções que conciliem desenvolvimento econômico e preservação dos direitos indígenas.

Com mais de 360 quilômetros de extensão, a ferrovia vai ligar Mara Rosa a Água Boa, integrando o chamado Arco Norte — corredor logístico considerado essencial para o agronegócio. No entanto, para os Xavantes, o avanço do projeto levanta preocupações que vão além da economia.

Durante o encontro, as lideranças destacaram a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os impactos ambientais, sociais e culturais da obra. Também cobraram a realização de consulta prévia às comunidades, além da criação de medidas compensatórias permanentes.

O cacique Isaías Tsihorira Dumhiwe afirmou que, embora os impactos sejam inevitáveis, é fundamental garantir o futuro das próximas gerações, com atenção especial à preservação do território e dos recursos naturais essenciais para a sobrevivência das aldeias.

Do lado do governo, o discurso é de equilíbrio. Representantes do Ministério dos Transportes afirmaram que a prioridade é avançar não apenas com a obra, mas também com soluções que assegurem direitos e atendam às demandas das comunidades indígenas.

Além das questões ambientais, os indígenas apresentaram reivindicações relacionadas à demarcação de terras e à criação de projetos que garantam sustentabilidade econômica dentro das aldeias — ponto considerado crucial diante das transformações que a ferrovia pode provocar na região.

 

O avanço da Fico coloca Mato Grosso novamente no centro de uma discussão sensível: até que ponto grandes obras de infraestrutura podem avançar sem comprometer territórios tradicionais. A resposta, ao que tudo indica, ainda está em construção — e passa, necessariamente, pelo diálogo entre governo e comunidades.



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